quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sobre The Graduate

Foi assim:

Desde bem pequena sofro com insônia. Muita insônia.

Quando eu tinha uns dez, onze anos, sem conseguir dormir, resolvi assistir televisão. Tava passando o Intercine. Ou o Corujão - realmente não lembro qual a sessão, mas lembro bem do filme: The Graduate (aka A Primeira Noite de um Homem).



The Graduate foi dirigido pelo Mike Nichols (que também dirigiu Closer) e conta a história de como Ben se apaixona pela Elaine... Depois de se apaixonar pela mãe dela.

Sério, todo mundo tem que assistir esse filme: é lindo, é melancólico, é engraçado, é anos 60, é Dustin Hoffman começando a carreira no cinema! Aliás, depois de ter visto o filme entrei em uma paixão platônica por ele (que talvez, mas só talvez, ainda não tenha passado).

Quer mais motivos para ver The Graduate? Tão aqui:

1) Mrs. Robinson, you are trying to seduce me
O que falar dessa, que é uma das cenas mais amadas, conhecidas e parodiadas do cinema? Nada! Só palmas para todos os envolvidos ~clap, clap, clap~


2) A percepção da época
O filósofo Giorgio Agamben fala que se quisermos entender nosso tempo, devemos nos distanciar dele, e é justamente isso que Nichols faz. Sem ser didático, o filme mostra por meio de Ben toda a crise ideológica pela qual a juventude da época passava: o conflito de gerações e o sentimento de que algo estava errado e precisava ser mudado.

3) The sound of silence
Mais do que longos diálogos, The Graduate é feito de silêncios. É na ausência do som e nos diferentes ângulos de câmera que o filme ganha força, personalidade. E é nas frases soltas, sem sentido, que percebemos o vazio de Ben, ou a amargura de Mrs. Robinson.

The Sound of Silence...
4) O filme é engraçado
Sim, The Graduate é engraçado, afinal é uma comédia romântica. Há algumas cenas meio non-senses que valem demais a pena.

5) Simon and Garfunkel
A trilha foi composta pela dupla especialmente para o filme e conta com clássicos como The Sound of Silence e Mrs. Robinson. É linda e complementa o filme.



6) A última cena
Sem spoilers, eu juro! Sabe aquela cena que você percebe todo o talento dos atores? Que uma mudança de semblante traz inúmeros significados? Que te prova que Dustin Hoffman é incrível, rei, samba, lacra e é lindo? Então...


P.S. Eu gosto mais de escrever "The Graduate" do que "A Primeira Noite de um Homem".

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sobre a idade do céu





O céu e eu

Espero o sono observando calada a rua diante da janela do meu quarto. A noite parece mais escura do que o comum.

Os carros passam desesperadamente, sem nem se importar com as pessoas que caminham nas calçadas. Eu me importo. Observo cada uma delas e imagino o que escondem.  Rostos marcados pelo tempo, passos rápidos e ofegantes rumo ao esconderijo seguro por trás de seus portões.

Olho para o céu. A lua enorme e branca divide espaço com várias estrelas. Certa vez li, não sei onde, que estrelas, apesar de cintilantes, são sempre inúteis. Não penso assim. As estrelas são muito mais complexas do que pontos a brilhar no céu. Quem sabe não haja escondida ali alguma forma de vida mais gentil que a nossa.

Quantos anos haverá na imensidão? Como eu me encaixo no infinito? Quem de verdade habita nesse corpo tão comum?

Não sei. Vivo em um emaranhado de dúvidas que ora me alimentam, ora me machucam a alma. São tantas que não consigo manter todas dentro de mim. Elas saem pela minha boca como borboletas transitantes que se confundem no caminho ao infinito e acabam por voltar. Sem resposta. Sempre.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sobre músicas da minha infância

Esses dias tava arrumando a parte de cima do meu guarda-roupa e encontrei algumas fitas cassetes da dupla Sandy & Jr dentro de uma caixa empoeirada. Olhei para aquela caixa e não sabia o que fazer, só sentir... #RobertaRainha



Quando eu fui morar em Penápolis minhas primas já eram fãs, aí eu meio que entrei na onda. Mas olha, minha diversão era esperar pelo sábado, quando me encontrava com as minhas primas na casa da minha vó, virava a Sandy e passava a tarde inteira dançando.

Obrigada anos 90!
~ Eu não lembro ~, mas minha mãe conta que teve uma época que a gente meio que incorporou a Sandy: os mesmos gestos, roupas, risada e cabelo. Enfim, nós só não tinhamos a mesma voz que ela (o que ainda hoje é uma grande tristeza em minha vida).


E eu também era do fã-clube. Antigamente, para ser de um fã-clube, não bastava seguir um perfil do twitter. Você se cadastrava e pagava uma quantia por mês, daí recebia coisinhas em troca. Ainda devo ter uma foto autografada em algum lugar. 

Ah, e uma coisa incrível: minha paixonite do ensino fundamental (que não deu certo, já que ele gostava da Loren. Pffff, Loren) chamava Lucas Lima. Coincidência? Eu acho que não... Aliás, por onde andará Lucas? Beijo, Lucas.

Bom, naquela época não tinha youtube, mas tinha fita VHS, que era onde gravávamos todas as apresentações deles na TV. Teve uma vez que minha prima mais velha conseguiu ir no show, aí ela filmou tudo e a gente ficou um mês assistindo aquilo para pegar as coreografias. Não riam, era difícil pra dedéu dançar Dig Dig Joy hahahaha

Boneca da Sandy: linda até os cabelos começarem a embaraçar...

Nunca cheguei a ir em um show, mas uns anos atrás fui em um evento do La Fura Dels Baus, um grupo performático que tinha convidado o Júnior para fazer a parte sonora da apresentação, e encontrei a Sandy. Foi assim: lá estava eu na pista correndo de um boneco gigante quando olho pro lado e vejo a Sandy, linda, no camarote.

O que eu fiz:
( ) chorei
( ) pedi autógrafo
( ) cantei "Inesquecível é você, digo então mais uma vez, não, não me deixe mais..."
( ) ergui um cartaz escrito: #voltaSandy&Jr
(x) nada

Sim, a Tami de vinte anos só ficou olhando pra ela com cara de idiota, mas a Tami de 11 anos que ainda  deve habitar em algum lugar ficou nas nuvens. 

Tudo isso pra falar que eu fui ouvir a fita, mas no lugar da Sandy cantando Sonho Azul, tinha a minha irmã cantando Vanessa Rangel. Triste.







terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sobre ser vegetariana

Sim, sou vegetariana.

Tudo começou assim: quando eu tinha uns três anos e entendi que carne, na verdade, eram os bichinhos que eu tanto amava, não quis mais me alimentar deles. Mas como eu era criança e tinha que obedecer minha mãe, acabava comendo alguma coisa, mesmo não querendo. No geral, tentava negociar, tipo: "como três colheres cheias de brocólis se não precisar comer o bife" :) 

Aos treze anos passei por alguns problemas emocionais que me fizeram emagrecer muito. Fui em um nutricionista e ele achou um absurdo eu não comer carne (vontade de dar um soco no nutricionista? sim, vontade de dar um soco no nutricionista). Sai de lá com uma dieta que me fazia comer carne três vezes por semana. E eu continuei comendo carne até quatro anos atrás, quando decidi parar completamente e para sempre.

Há muita coisa a ser falada sobre o vegetarianismo/veganismo, mas vou focar em questões com as quais sempre me deparo:

1 - Vai um peixinho aí? Ah, vai, peixe não se enquadra...

Mas é logico que peixe se enquadra. Peixes não são vegetais que nadam. Há estudos que comprovam que peixes sentem dor, assim como todos os outros animais. 


2 - Tem salgado de presunto. Serve?

Segue história real:

Estava eu na rodoviária quando decido comer alguma coisa antes da viagem. Chego na lanchonete e pergunto pelo enroladinho de palmito. A moça me dá o salgado e eu saio feliz e contente em direção ao ônibus. Como de costume, antes da primeira mordida parto o enroladinho ao meio pra ter certeza do que vou comer: não era palmito, era presunto #NaoEraAmor #EraCilada

Volto pra lanchonete, explico para a atendente que ela me deu o salgado errado e que eu não posso comê-lo por ser vegetariana. Ela fica puta, me dá um esporro por estragar o enroladinho, diz que não tem outro sabor e se eu quiser vou ter que trocar por um suco. Desisto de discutir porque meu ônibus já tá chegando, pego o suco e passo fome por toda a viagem. ¯\_(ツ)_/¯

Moral da história: mesmo moído e processado, presunto ainda é carne.

3 - Você está fazendo dieta?

Eu? Dieta? hahahahaah

Não, sério. Ser vegetariano não significa ser magro, muito menos ter uma alimentação saudável (a menos que você queira). Não existe picanha, mas existe batata frita :)

Minha decisão veio de coisas que eu li e assisti sobre crueldade em animais e condições precárias de trabalhos em abatedouros.

Para quem quiser saber mais:


4 - Mas o que você come?

Uma infinidade de coisas, menos carne.
Ah, eu ainda utilizo ovos e leite, mas estou tentado diminuir o consumo.


5 - Você se sente superior por ser vegetariana?

Essa eu tirei de comentários em sites de notícias hahahah

Não, eu não me sinto superior. Nem pretendo obrigar as pessoas a pararem de comer carne. Mas é que quando se descobre que é possível viver sem, você meio que quer contar pra todo mundo sobre isso.

Faz assim: se vocês me desculparem por as vezes ser chata e causar problemas com a preparação do menu, eu nem vou ligar de ouvir a piada do "eu também sou vegetariano, afinal, meu alimento come plantas" de novo... e pela milésima vez hahahaaha

Fechado? Fechado!








segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sobre Jane, the Virgin

Bom, para começar, eu preciso confessar: novelas mexicanas moldaram parte do meu caráter. Sim, minhas tardes de infância foram gastas com a Thalia em roupas estranhas chorando descontroladamente enquanto era humilhada por alguma vilã. Anos incríveis...

Y a mucha honra ~tan tan tan ~ Maria La Del Barrio soy

Daí que eu tava orfã de How I Met Your Mother (inclusive, ganhei um guarda-chuva amarelo de Natal por motivos de: tenho uma mãe que quer que eu desencalhe é linda), procurando por uma série para me apegar quando li sobre Jane, The Virgin. E aqui outra confissão: só fui assistir por ser baseada em uma dessas novelas com muito choro, vilões caricatos e orações para a Virgem de Guadalupe.